- Foi indiferente para mim, não me surpreendeu. E esse é o problema. Acho que 60% a 70% dos atletas profissionais de MMA usam substâncias proibidas. Apesar de sermos uma minoria, ainda há lutadores como eu e Lyoto Machida e outros caras das antigas que se preocupam com o esporte. Acho que o UFC deveria aumentar os testes. Antes dos treinos para lutas, durante, depois, o tempo todo. Em 95% das vezes que se testa alguém de surpresa, o cara é pego. Há academias, equipes e países que possuem problemas com isso, e o número só faz aumentar. Recebo muitos e-mails e mensagens de pessoas dizendo que estão desapontadas com tudo de errado que acontece no MMA. Se eu pudesse atuar em alguma outra área para ajudar a melhorá-lo, eu o faria - declarou o americano, em entrevista ao "MMA Hour", na segunda-feira.
Kennedy declara também que, caso um integrante de sua equipe fosse flagrado em um exame antidoping, o líder da academia, Greg Jackson, colocaria a "tolerância zero" em prática.
- Não posso falar por técnicos e equipes. Falo pelo meu técnico e minha equipe. Se Greg Jackson ouvisse o boato de que algum lutador dele estaria usando esteroides ou algo do tipo, ele expulsaria esse cara da academia imediatamente. Ele trabalha muito para se certificar que seus atletas não estão fazendo nada errado. Claro, Jon Jones é da nossa equipe, e não falei com ele desde o flagrante por cocaína. Mas ali o problema é outro. É um erro pessoal que em nada contribuiu para a sua performance no octógono. Se ele precisar de mim, estarei ali para apoiá-lo. E digo a todos: "Não usem drogas. Elas fazem mal".
O atleta, que garante jamais ter feito uso de substâncias proibidas, criticou o fato de as comissões atléticas receberem parte do dinheiro gerado pelos eventos de MMA.
- Não jogamos golfe ou basquete. Nós nos acertamos na cabeça, e com força. Me surpreende que alguém não tenha sofrido uma lesão séria, ou um nocaute aplicado com alguém que estivesse sob efeito de esteroides. Mas as comissões atléticas recebem parte da arrecadação dos eventos. Isso, para mim, é terrível. Há um problema seríssimo de ética nisso. Como pode o exame antidoping de um lutador feito um mês atrás só aparecer após um evento que rendeu muitos e muitos milhões de dólares? Acham que somos idiotas a ponto de acreditar que isso foi uma coincidência? O fato é que esteroides funcionam, por isso o usam. Eles te tornam maior, mais forte e mais explosivo. Eu sei que, se usasse, melhoraria minha performance e me curaria de lesões mais rápido. Mas nunca usei nada disso, e nunca usarei.
A frustração de Tim Kennedy vai além dos casos de doping. A arbitragem é outro ponto que o lutador demonstra descontentamento e admite que está desanimado com tudo o que tem visto.
- Estou desapontado com o esporte em diversos níveis. Com o doping, com os erros de árbitros e juízes. Estou no MMA há muito tempo, e nada muda. Ouvimos Dana e Lorenzo dizerem que as coisas vão mudar, mas nada muda. Eu preciso do meu cérebro e da minha integridade física, e o que ganhamos não compensa. Não digo que me considero aposentado agora, porque sou apaixonado pelo MMA e pelos treinos. Mas me desmotiva treinar como treino e ser limpo como sou, e ouvir as pessoas reagirem ao meu nome com indiferença. "Ele é um bom lutador, OK....". Hoje posso dizer que estou desmotivado, e sei que poderia ter um trabalho normal e ganhar mais, o que pouparia o meu cérebro. Sou um militar treinado que poderia atuar em diversas áreas. Hoje, eu diria que, para me motivar a lutar novamente, teria que ser contra Fedor Emelianenko em sua volta ao MMA.
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