domingo, 29 de dezembro de 2013

William Patolino: sangue de Bobby Voelker mudou estratégia de luta

Patolino luta UFC 168 Las Vegas (Foto: Getty Images)

Uma cotovelada de William Patolino no meio do segundo round criou um grande corte no rosto de Bobby Voelker e abriu caminho para a vitória do brasileiro na segunda luta do UFC 168, na noite de sábado, em Las Vegas. O lutador da Baixada Fluminense, todavia, admitiu na entrevista pós-luta que a quantidade de sangue que o golpe liberou o atrapalhou no combate. - Eu não sei explicar, acho que foi meio difícil, porque eu estava no calor da luta, mas eu estava bem prestando atenção nele. Teve muito sangue nessa luta. Quando eu conectei uma cotovelada nele, dei um direto, encurralei e dei uma cotovelada, abriu e estava jorrando muito sangue, muito sangue. E eu tentei derrubar ele, ficamos agarrados e comecei a me sujar de sangue também. Quando me afastei dele, já não conseguia enxergar direito, tive que limpar meu rosto. Imaginei, ele deve estar muito pior, porque o sangue não parava de jorrar do rosto dele! Se para mim estava difícil, imagina para ele, estava um horror! Foi meio difícil, porque queria me prevenir, não podia ficar encostando nele, tentando trabalhar agarrado com ele pra não ficar sujo de sangue, escorregando a pegada, o corpo não gruda. Foi meio difícil porque eu não pude fazer algumas coisas que queria fazer - explicou Patolino, que machucou a mão com seus socos no rosto do adversário.

O peso-meio-médio fez sua segunda luta no UFC, a primeira depois de perder a final do The Ultimate Fighter Brasil 2 para Léo Santos, em junho passado. Naquela ocasião, Patolino teve clara queda de rendimento no segundo round, devido ao esforço feito no primeiro assalto. Para o combate em Las Vegas, ele incluiu em sua equipe um treinador da seleção brasileira de luta olímpica, Pedro Rocha, e ficou satisfeito com seu condicionamento físico.

- Na final do TUF, eu não cansei um pouco não, eu cansei bastante no começo do segundo round. Fiz muitas coisas erradas para aquela luta, mas aprendi com meus erros e aperfeiçoei tudo o que tinha errado. Desta vez, o meu condicionamento foi brilhante. Não cansei em nenhum momento e vi que estava minando ele na linha de cintura. Meu condicionamento físico está muito trabalhado, vou continuar melhorando bastante para que em nenhuma luta eu me sinta cansado - afirmou.

Pior para Voelker, que deu declarações antes da luta dizendo que apostaria em deixar o brasileiro se cansar no primeiro round e tomaria o controle a partir daí.

- A estratégia dele não foi muito certa, né? Deu alguma coisa de errado, porque não foi como ele esperava. Eu me preparei muito e eu já sabia que ele ia aguentar pancada. Vi os vídeos dele e ele aguenta pancada. Eu e a minha equipe estudamos o jogo dele, e a gente falou, "Se ele aguentar o primeiro round, ele vai ter que ir para o segundo; se ele aguentar o segundo, ele vai ter que ir para o terceiro; e se ele aguentar o terceiro, ele vai ser espancado nos três rounds!" E foi o que aconteceu: eu vim e aniquilei o jogo dele. Ele ficou naquela de me deixar trabalhar, eu trabalhei e acabou que ele não conseguiu fazer nada - provocou Patolino.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Brasileiros do UFC 168 dão palpites para Anderson x Weidman


Na noite de hoje, no UFC 168, em Las Vegas, cinco brasileiros subirão ao octógono para travar duelos contra americanos. No entanto, somente um tem o status de protagonista: Anderson Silva, que tenta retomar o cinturão dos médios do Ultimate, retirado de suas mãos em julho por Chris Weidman.Para saber os palpites dos brasileiros que lutam na mesma noite da luta mais aguardada dos últimos anos, a TATAME recolheu os depoimentos de Diego Brandão, Gleison Tibau e Fabrício Morango, que você confere abaixo:

Diego Brandão: “Com certeza o Anderson vai recuperar o cinturão. Vai ser uma luta dura, pois o Chris Weidman é um atleta de qualidade. Mas acho que agora que o Anderson já sentiu o peso da derrota e não vai querer mais passar por isso. Ele é uma lenda do esporte e vai querer entrar para lutar sério e decidir. Poder ver aquilo tudo de perto vai ser um sonho para mim”, concluiu o lutador.

Gleison Tibau: “Essa revanche está sendo muito esperada aqui nos Estados Unidos. Las Vegas vai estar lotada. O Anderson é muito mais técnico e tem mais experiência, mas o garotão (Weidman) tem um bom Wrestling, é jovem e está com vontade. Não sei o que vai acontecer, mas vai ser uma grande luta. Sempre é um prazer lutar no mesmo dia de um fenômeno como o Anderson. Já lutei várias vezes no mesmo card que ele e sento para ver ele lutar, porque posso sempre aprender alguma coisa”

Fabrício Morango: “Acho que o Anderson recupera o título sim. Ele tem mais qualidades do que o Weidman, e é mais completo. O que aconteceu na última luta foi que ele se desligou ali em algum momento e acabou sendo nocauteado. Mas agora ele vai dar a volta por cima”

Empresário de Anderson não crê em aposentadoria após luta no UFC 168

Jorge Joinha Guimarães, empresário (Foto: Ivan Raupp)

Dentre as especulações em torno do futuro de Anderson Silva após a revanche contra Chris Weidman no UFC 168, uma das mais fortes aponta para uma possível aposentadoria do astro do MMA. O Spider diz que ainda não sabe o que vai fazer e deixa o próximo passo em aberto, mas neste momento parece pouco provável que ele pare. Empresário do lutador, Jorge "Joinha" Guimarães comentou o tema e disse que o resultado do duelo deste sábado deve influenciar na decisão de Anderson, mas não crê na aposentadoria dele:

- Sinceramente, acho que influencia, mas isso quem sabe é o Anderson. Ele é um lutador que já fez o que ninguém fez nesse esporte, principalmente no UFC. Muito se especula que, se ele vencer esta luta, vai parar de lutar. Eu não acredito. Acho que o Anderson Silva está na melhor forma da vida. Principalmente pela remuneração e pelo que ele ainda é capaz de fazer, acho que ele ainda continua - disse em entrevista ao Combate.com.

Joinha planeja o futuro de Anderson Silva com a superluta contra o boxeador Roy Jones Jr., que ele acredita que seja feita no MMA e não no boxe, desejo do Spider, e depois a revanche contra Vitor Belfort. Primeiro, claro, Anderson precisa recuperar o cinturão do UFC:

- O Roy Jones Jr. é o desejo que ele sempre teve. Ele quer lutar contra o Roy Jones num combate de boxe. Pessoalmente, acho uma loucura (risos), e já falei isso para ele. Mas o Anderson é capaz de tudo. Está arriscado ele tirar uma da cartola e surpreender. Ainda não foi resolvido se seria no boxe, mas acho que não. Acho que seria no MMA. E mesmo assim o Roy Jones é perigosíssimo, um cara que está sempre se reinventando. É um lutador duríssimo e, com uma luvinha daquela de quatro onças, qualquer um tem que se preocupar e muito. Acho que vai acontecer essa superluta e depois, claro, o Vitor Belfort tem direito à revanche. Na verdade para a gente a ordem é indiferente, mas a gente vai ter que conversar. Primeiro o Anderson tem que vencer o Weidman. Depois a gente vê o que vai fazer.

O empresário também deu seu palpite para a revanche contra Weidman. Ele ressaltou a motivação de Anderson e crê numa vitória dele no máximo até o segundo assalto:

- Acho que esta luta não passa do segundo round. Nunca vi o Anderson tão feliz. Ele está treinando feliz, está muito bem preparado, extremamente forte e rápido. Luta cinco rounds sem o menor problema. O Weidman é um wrestler melhor do que o Anderson, mas no resto, inclusive no jiu-jítsu, o Anderson é melhor. Acho que o Weidman vai ter uma surpresa desagradável.

Dana White afirma que Brasil foi o grande destaque do UFC em 2013

Dana White entrevista UFC Las Vegas (Foto: Evelyn Rodrigues)

O UFC voltou oficialmente ao Brasil em agosto de 2011 e, apesar do pouco tempo, o país conquistou o status de mercado mais importante do Ultimate. Pelo menos essa é a opinião do presidente da organização, Dana White, que disse em entrevista exclusiva ao Combate.com que o grande destaque do ano de 2013 foi o crescimento do esporte em solo verde-amarelo:

- A melhor coisa de 2013? Que ano nós tivemos no Brasil! Foi um ano excelente, com eventos fantásticos e sucesso de público. A multidão foi maravilhosa em todos os eventos que fizemos por lá. Se eu pudesse pegar o destaque de 2013 para o UFC seria o Brasil se consolidando como o principal mercado do UFC no mundo. Pense sobre essa luta entre Anderson e Weidman e, é claro que vamos ter uma excelente audiência com pessoas assistindo em todo o mundo, mas no Brasil as pessoas vão ficar malucas, os números vão ser esmagadores. Vai ser o país que vai ter a maior audiência dessa luta sem sombra de dúvida! - declarou o chefão durante o bate-papo.

Dana, aliás, estava tão empolgado com o duelo deste sábado que mal conseguia falar sobre outra coisa. Ele confessou que não conseguiu dormir na noite anterior devido à ansiedade e falou, entre outras coisas, da postura de Anderson Silva para o duelo, de TUF Brasil 3 e dos planos do UFC para 2014. Confira a entrevista completa, dividida por tópicos:

Revanche entre Weidman x Silva é a maior da história do UFC?

Vocês têm noção da dimensão dessa luta? É absurdamente imensa! Pessoas do mundo todo vão ver esse duelo. Nós nunca tivemos uma luta em que pessoas de todos os lugares do mundo viajaram exclusivamente para o evento só por causa dela. É por isso que eu falo que Weidman x Silva II é o maior duelo da história do Ultimate. Em escala global, é a maior luta que nós já promovemos, sem sombra de dúvida.

Sobre Anderson tê-lo chamado de “George Bush do MMA” ao comentar o jeito controlador do presidente do UFC em entrevista ao programa “Roda Viva”:

Eu sou muito fã do Anderson Silva, por tudo o que ele fez e por tudo o que ele é capaz de fazer. Ele é peculiar, é estranho, ele tem algumas peculiaridades, mas eu sou um grande fã. É engraçado, porque as pessoas estão me falando que ele me chamou de George Bush do MMA. Elas queriam saber o que eu achava disso. E eu disse: 'Eu não dou a mínima para do que ele me chama!(risos)’. A verdade é que Anderson pode me chamar do que quiser, eu não ligo. A única coisa que me interessa é que eu quero ver essa revanche! Contanto que ele lute ele pode me chamar do que quiser!

Qual o impacto da derrota para Weidman em Anderson?

Eu acho que perder aquela luta o afetou de forma positiva e negativa. Positiva, porque ele não gosta de se envolver muito, ele não gosta de te dizer o que ele está pensando, o que está sentindo o que está acontecendo. E ele disse em uma entrevista que ele não dava muito valor para o cinturão. E ele levou isso muito a sério e quando isso acontece com ele, com o GSP ou com qualquer outro campeão, você começa a não ligar para o cinturão porque, no final das contas, há caras lá fora que sonham em segurar esse cinturão, esse é o sonho da vida deles. E esse foi o sonho do Anderson em algum momento, mas quando ele se tornou campeão, ele passou a falar sobre os problemas que vieram com o título. Mas acredite, todo mundo gostaria de ter os problemas que o Anderson Silva e o Georges St-Pierre dizem que têm, ok? Esses são bons problemas para se ter. 'Oh meu Deus, estou ganhando milhões e milhões de dólares, sou super famoso, tenho dezenas de patrocinadores e várias pessoas ao meu redor e isso e aquilo. Minha vida é muito dura, tenho pena de mim!' Ah, tá bom! Mas enfim, em algum momento eles também sonharam em concretizar isso e tudo o que eles sempre quiseram eles conquistaram. E você acaba meio que não se importando mais com o título por conta disso.

A influência que os fãs que torcem contra os campeões do UFC têm sobre eles:

Nós vivemos em um mundo onde nós chamamos essas pessoas de 'haters'. Toda hora que alguém tem sucesso em alguma coisa, essas pessoas ficam torcendo pela derrota ou para que as coisas comecem a dar errado. Sempre vai acontecer isso e, para algum desses lutadores, isso é parte da pressão e do estresse. Todos os dias, se eu entrar no meu Twitter, eu posso te mostrar 50 coisas que as pessoas dizem, do tipo 'Você é estúpido, é careca, é feio’e aí você vê isso e, algumas pessoas conseguem lidar com esse tipo de comentários e outras não. Eu acho que há essa relação de amor e ódio com os fãs e você vai lá, dá o seu melhor e não entende porque as pessoas te odeiam. As pessoas te odeiam porque você tem sucesso, e não é todo mundo que não gosta de você. Mas essa relação de amor e ódio é provavelmente uma das coisas mais difíceis para um lutador se acostumar ou aprender a lidar.

Seguranças de Anderson Silva muitas vezes tratam mal os fãs:

Eu acho que as pessoas têm que entender que, quando você tem uma luta tão grande como essa, se você olhar para o boxe, por exemplo, mesmo nos dias em que Mike Tyson e caras com ele lutavam, eles nunca andavam no meio da multidão. Eles chegavam à arena pela porta dos fundos e não interagiam muito com os fãs. Essa é uma grande luta e as pessoas têm atitudes meio malucas às vezes. Você precisa iniciar o corte de peso para ficar pronto para a pesagem e não pode ficar se preocupando com outras coisas. Não é tão simples quanto parece. Às vezes medidas como contratar seguranças são necessárias.

Qual foi a maior decepção em 2013?

Eu não me lembro de nenhuma decepção ou atitude negativa esse ano. Tivemos os caras que foram pegos no antidoping e isso é um saco, mas  é também uma coisa infeliz que sempre vai acontecer em esportes. Você sempre vai ter um cara que vai passar por isso., é um saco, mas é a verdade. E claro, um caso que me chateou muito foi o do Antonio Pezão, porque eu estava muito empolgado com aquela luta. Ele foi testado, estava tudo bem e aí ele tomou uma dose extra de TRT. Isso é muito maluco.  Ele está suspenso, perdeu o bônus de melhor luta da noite e o bônus da vitória. Para piorar, Pezão não está em uma boa posição agora, a luta dele se transforma em um 'No- Contest' para ele. (luta sem resultado).

A melhor surpresa de 2013 para o UFC?

A melhor surpresa em 2013 foi quão bom esse ano foi, se compararmos a 2012. O ano passado foi terrível!  O UFC e os nossos fãs mereciam um ano como esse. Espero que continuemos com grandes lutas como as desse ano em 2014. Mas sabe, também posso dizer mais. A melhor coisa de 2013? Que ano nós tivemos no Brasil! Foi um ano excelente, com eventos fantásticos e sucesso de público. A multidão foi maravilhosa em todos os eventos que fizemos por lá. Se eu pudesse pegar o destaque de 2013 para o UFC seria o Brasil se consolidando como o principal mercado do UFC no mundo. Pense sobre essa luta entre Anderson e Weidman e, é claro que vamos ter uma excelente audiência com pessoas assistindo em todo o mundo, mas no Brasil as pessoas vão ficar malucas, os números vão ser esmagadores. Vai ser o país que vai ter a maior audiência dessa luta sem sombra de dúvida!

Planos do UFC no Brasil em 2014:

O que nós vamos fazer no Brasil é continuar promovendo eventos mais e mais eventos ao redor do país para que mais pessoas possam conhecer o UFC. Queremos expandir ainda mais em 2014.

Expectativa para o TUF Brasil 3:

Eu acho que alguns brasileiros gostam do Chael Sonnen e talvez mais brasileiros vão passar a gostar dele depois do TUF, mas a maioria vai odiá-lo. O brasileiro é tão patriota que está sempre usando alguma coisa que remete ao seu país, seja a camisa da seleção de futebol, seja a bandeira ou o boné com as cores do Brasil, todo mundo faz isso por lá. Por outro lado,  Chris Weidman é o único cara que eu já vi entrar no octógono com a bandeira dos EUA desde que compramos o evento, há 13 anos. Os americanos não fazem isso porque eles são parte de um país criado por outros povos. Os brasileiros só querem ver os lutadores de seu país vencerem e não estão nem aí para ninguém mais. Se você tem alguma ligação com o Brasil, se seu tio era brasileiro, eles vão torcer por você.

O UFC 172, com a luta entre Jon Jones e Glover Teixeira, vai ser mesmo em Baltimore, nos EUA?

Não, essa não vai ser em Baltimore. Nós estávamos tentando fazer esse duelo lá, mas não funcionou.

'Pode brincar, desde que cumpra os objetivos', diz treinador de Anderson

Ramon Lemos, treinador de Anderson Silva (Foto: Ivan Raupp)

Os fãs brasileiros ficaram na bronca com Anderson Silva pela postura demasiadamente provocativa na primeira luta contra Chris Weidman, onde ele acabou nocauteado após fingir ter sido acertado por um soco do rival. De acordo com o principal treinador do Spider, o mestre de jiu-jítsu Ramon Lemos, as brincadeiras não são uma preocupação para a equipe e podem se repetir na revanche deste sábado. O que não pode acontecer de novo é o ex-campeão deixar de perseguir o objetivo que lhe é traçado para o duelo:

- Não estou preocupado se ele vai brincar ou não. Ele pode brincar o quanto quiser, desde que cumpra os objetivos e a movimentação que nós treinamos. Em todas as últimas lutas ele sempre se movimentou, o que parece ser um pouco de brincadeira, mas não é brincadeira. Ele tem a estratégia de mexer no psicológico e tal. Então, não é isso que me preocupa, se ele vai dar a cara ou vai encostar na grade. O que me preocupa é ele cumprir o objetivo. Se ele fizer toda essa brincadeira, mas cumprindo o objetivo, vou ficar tranquilo, porque a luta vai se desenrolar bem - disse em entrevista ao Combate.com.

Ramon Lemos afirmou que a derrota para Weidman foi importante para a equipe poder corrigir alguns erros que antes eram levados adiante por Anderson Silva:

- Com derrota ou com vitória, sempre há coisas a serem corrigidas. A gente sempre deixava para depois e não corrigia devido a grandes vitórias e grandes espetáculos que o Anderson tinha. Agora nós pegamos pequenos detalhes que precisavam de ajustes e os corrigimos. Podem esperar o Anderson 100% para esta luta, e a gente está bastante confiante para uma vitória.

O "head coach" do Spider acredita que Weidman vai tentar levar a luta para onde é sua zona de mais conforto, o wrestling. E garante um Anderson mais ativo e efetivo:

- Acho que ele (Weidman) não vai mudar as características dele. Quem treinou uma modalidade marcial individual, assim como ele treinou wrestling e o Anderson treinou muay thai, é muito normal que cada um corra para a sua na hora do combate. Acho que, quando a pancada começar a comer, ele vai querer botar o Anderson para baixo com o wrestling dele. E o que podemos esperar do Anderson é um lutador mais ativo e mais efetivo. Na última luta ele fez toda a movimentação dele, mas não tocou o Weidman. Desta vez ele (Weidman) vai ter que aguentar os golpes.

Ramon destacou o rendimento que Anderson ainda tem, mesmo com idade avançada, e a técnica refinada para justificar que não acredita na aposentadoria do amigo após a revanche:

- O Anderson está com 38 anos. É a idade em que todos os atletas começam a parar um pouco, a diminuir o ritmo. Eu posso dizer o seguinte: se o Anderson Silva tivesse a idade que tem e não tivesse o rendimento que tem, de repente a gente poderia começar a pensar na hora de parar. Mas falando de Anderson Silva, onde a performance do cara é 100%, por que parar num momento de auge assim? Tecnicamente não vejo ninguém no nível do Anderson. Essa é uma resposta para o Anderson dar, mas eu não gostaria. Ele tem um contrato a ser cumprido, muita coisa para fazer e muito adversário para bater.

Anderson Silva janta após pesagem e causa frisson ao deixar restaurante

Anderson Silva UFC 168 (Foto: Evelyn Rodrigues)

Anderson Silva deixou a pesagem do UFC 168, onde teve uma encarada tensa com Chris Weidman, e foi para um restaurante no hotel e cassino MGM para recuperar um pouco de peso até a luta deste sábado. O Spider jantou acompanhado de toda sua equipe e deixou o restaurante antes dos demais companheiros. Ele saiu do local com seus dois seguranças e causou frisson em quem estava por perto. Os mais eufóricos gritaram o nome do lutador, que parou para dar autógrafos e tirar fotos com alguns fãs mirins.

Em enquete, quase 80% acham que Anderson vence Weidman no UFC 168


A torcida brasileira está confiante na vitória de Anderson Silva contra Chris Weidman em luta válida pelo UFC 168 em Las Vegas. O Corujão do Esporte realizou uma pesquisa para aferir quem os torcedores achavam que ia vencer o combate. 79,32% dos que votaram acham que o Aranha vai superar Weidman. Por outro lado, 20.68% dos participantes da enquete acham que o americano Weidman vai sair vencedor e manter o título que conquistou batendo o mesmo Anderson em julho deste ano.

Belfort mostra confiança em papo com fãs: 'Sou um leão. Preparem-se'

Vitor Belfort pesagem UFC 168 (Foto: Evelyn Rodrigues)

Era para ser um evento apenas com Bruce Buffer respondendo perguntas dos fãs, mas Vitor Belfort apareceu de surpresa e participou do bate-papo, que faz parte da programação do Ultimate para o UFC 168. Confiante de que será o próximo desafiante dos pesos-médios da organização para enfrentar o vencedor do combate entre Chris Weidman e Anderson Silva, o Fenômeno deixou um aviso para quem duvida. - Sou um leão. Sou imprevisível. Preparem-se - afirmou.

O brasileiro ganhou elogios de Bruce Buffer pelas últimas apresentações, que incluem nocautes devastadores sobre Michael Bisping, Luke Rockhold e Dan Henderson.

- Ele se reinventou e é um guerreiro - disse.

No momento mais inusitado do evento, Bruce Buffer foi questionado se fazia a voz de announcer durante o ato sexual. A pergunta ganhou o prêmio de mais assustadora do dia, conforme anunciado pelo UFC, e Bruce brincou ao gritar seu característico bordão na resposta.

- It`s time!

Minotauro vê Spider comprometido e Weidman com 'peso' do cinturão

Rodrigo Minotauro e Anderson Silva comemoração UFC luta  (Foto:  Inovafoto/ Divulgação/ UFC)

 Um dos melhores amigos de Anderson Silva, sempre citado quando o ex-campeão do UFC fala de sua carreira, o peso-pesado Rodrigo Minotauro chegou a Las Vegas na quinta-feira para acompanhar o lutador paulista na revanche contra Chris Weidman, no próximo sábado. A lenda do MMA internacional também estava com o Spider na primeira luta contra o americano, em julho, e pôde acompanhar de perto o efeito que aquela derrota, a primeira em mais de sete anos, teve em seu amigo.

- A gente conversou logo após a luta, dois dias depois. Ele chamou todo mundo depois da luta, rezou, assumiu os erros dele, pediu desculpas à equipe inteira, e rezou, assim como fez em todas as defesas de título. Ele prometeu comprometimento numa nova luta pelo título e realmente cumpriu a parte dele, se comprometeu. Seria ruim ver ele não treinar, mas não foi isso o que aconteceu. A gente viu ele treinar diariamente, gritar com quem se atrasava ao treino, isso mostra o comprometimento e vontade - contou Minotauro ao Combate.com.

Minotauro fez questão de ressaltar que Anderson Silva lutou da mesma forma que sempre fez e que a vitória de Weidman foi mais mérito do americano do que "culpa" do brasileiro, mas vê seu compatriota mais leve e focado, ao mesmo tempo que achou o campeão já "incomodado" com a responsabilidade de defender o cinturão.

- A grande verdade é que o Chris Weidman ganhou, a gente tem que dar méritos. Ele foi melhor naquele dia, não foi falha do Anderson. O Chris Weidman é um garoto talentoso. Naquele último golpe, ele meteu uma vontade e foi andando para cima, um golpe meio inesperado. Geralmente, você perde o golpe e para; ele saiu de loucão andando para cima, na maluquice (risos), distribuindo mais, meteu uma vontade e ganhou a luta. O Anderson, nesta luta, realmente, está com mais vontade, a gente também pode falar. Ele estava um pouco desmotivado, sem aquela sensação de desafio, e agora é realmente um desafio ganhar o cinturão de volta. Ele está bem mentalmente, está com vontade. Vocês viram na entrevista (coletiva) que ele está tranquilo, tirou um pouquinho desse peso, e o Weidman está um pouquinho com esse peso do cinturão nas costas. Ele sabe disso, eles ficaram brincando passando o cinturão um para o outro, porque ele sabe que o cinturão é pesado. É um peso, e acho que o Anderson vai vir bem nessa luta - analisou o peso-pesado.

Ronda quase desistiu do MMA para trabalhar com resgate em alto mar

Ronda Rousey coletiva UFC Las Vegas (Foto: Evelyn Rodrigues)

Em 2012, Ronda Rousey escreveu definitivamente o seu nome no MMA feminino ao se tornar a primeira mulher contratada pelo UFC e a primeira campeã da história da organização. Em 2013, ela continuou escrevendo essa história ao realizar a sua primeira defesa de cinturão contra Liz Carmouche, em fevereiro, e protagonizar, ao lado da arquirrival Miesha Tate, uma edição do reality show The Ultimate Fighter nos EUA como treinadora, na primeira vez em que o programa também teve lutadoras femininas disputando uma vaga no UFC.

Hoje, aos 26 anos de idade, Ronda sabe que já conquistou muito mais do que a maioria das mulheres que sonham um dia viver do esporte. A paixão pelas artes marciais foi uma herança da mãe, a também lutadora Ann Maria Rousey DeMars, que foi a primeira americana a vencer um campeonato mundial de judô, em 1984.
- Eu iniciei a minha carreira no judô meio que tentando seguir os passos da minha mãe, que sempre foi uma inspiração muito grande na minha vida. Aos 17 anos de idade, me tornei a atleta mais nova das Olimpíadas de Atenas. Depois fui medalha de ouro, prata e bronze nos Jogos Pan-Americanos de Judô de 2004, 2005 e 2006, e medalha de ouro no Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007. Aí eu fiquei em segundo lugar no Campeonato Mundial de Judô no mesmo ano e consegui a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Resumidamente foi isso – relembra a lutadora em entrevista ao Combate.com.

Quando decidiu sair do judô, a agora campeã peso-galo do UFC passou por um momento de incertezas em sua carreira e quase seguiu um caminho bem diferente do MMA.

- Depois das Olimpíadas, eu não tinha uma motivação verdadeira. Eu não estava na universidade, não tinha nenhum trabalho e eu tinha vontade de trabalhar na guarda costeira realizando resgates em alto mar. Sabe quando o seu barco quebra ou naufraga e você precisa de alguém para te socorrer? Eu seria a pessoa que iria no helicóptero e pularia em alto mar,  nadaria até você e faria o seu resgate. Esse era o trabalho que eu queria – revela.

A medalhista olímpica conta que chegou até a participar de um treinamento para saber se era isso mesmo que queria:

- Os membros da guarda costeira foram muito legais e me levaram para a base deles em San Pedro e me mostraram onde os helicópteros ficavam. Eles até tentaram me colocar em um helicóptero, mas o chefe deles disse que cidadãos não podiam participar do treinamento. Então eles me colocaram dentro de um barco e me levaram para o mar e passaram a jogar cestas na água, pular para fora do barco e enfim… Isso parecia realmente um trabalho muito legal, mas a única coisa ruim é que eles são militares, então você tem que se mudar a cada quatro anos. Eu tinha passado tanto tempo lutando judô e morando longe de casa, que eu não queria me mudar novamente. Eu queria achar um jeito de ficar em casa e aí eu então pensei: “Quer saber, vou dar uma chance ao MMA. Se não der certo, aí eu volto para a guarda costeira”. E, aparentemente, minha carreira no MMA deu certo, né? (risos).

Início no MMA e paixão por Fedor Emelianenko

O início na carreira não foi dos mais fáceis e a ex-judoca confessa que passou por muitos momentos difíceis para conseguir fazer a transição para as artes marciais mistas:

- Quando você passa a ser eficiente em um esporte, é muito difícil admitir a sua ignorância e começar desde o início em outra área. Eu tive que me permitir muitas coisas, como, por exemplo, me sentir ridícula. Eu lembro a primeira vez que eu fui para uma academia para treinar trocação, eu me senti como uma pessoa completamente estúpida, não sabia socar e fiquei meses treinando até passar a me sentir menos desconfortável. Eu acho que é por isso que muitos lutadores têm dificuldades para fazer essa transição para o MMA, porque eles não estão acostumados a serem o peixe fora d’água.

Ronda fez a sua primeira luta como amadora em agosto de 2010 e, desde então, buscou inspiração no lutador russo Fedor Emelianenko, que foi campeão do extinto Pride de 2003 a 2006, chegando a acumular 28 vitórias seguidas e sendo, até hoje, considerado o melhor peso-pesado de todos os tempos.

- O único lutador no qual eu sempre me inspirei na vida foi Fedor Emelianenko. Ele me deixou maluca porque foi o primeiro vídeo de melhores momentos que eu assisti na vida e eu nunca tinha visto nada parecido. Eu amei o estilo dele, como ele veio de uma base de judô misturada com sambo. Até hoje eu ainda sou completamente apaixonada pelo Fedor e, infelizmente, ele é um dos poucos lutadores que eu nunca conheci. Fedor tem sido uma grande inspiração, pois eu sempre tento imitar o seu estilo, dentro do possível em uma luta. Eu gostaria de conseguir imitar o estilo dele nas entrevistas também, porque aí eu teria muito menos trabalho, mas infelizmente isso eu não consegui ainda - brinca, lembrando o jeito "seco" do russo de responder aos repórteres.

Outra inspiração constante na vida da campeã é a própria mãe.

- Eu tentei muito, ainda tento me inspirar no estilo da minha mãe. Na verdade, tentei ainda chegar mais perto do nível dela, pois isso, por si só, já seria uma grande conquista. Ela já fez tanto e continua fazendo tanto pelo esporte, que fica praticamente impossível concretizar esse objetivo. E, de uma certa forma, isso é bom, pois eu aprendi nas Olimpíadas que os objetivos que você quer conquistar, eles realmente não fazem nada por você depois que você os concretiza. Então, eu prefiro colocar os meus objetivos tão lá em cima, que vou passar muito tempo tentando concretizá-los. Isso ajuda a manter o foco e a lembrar sempre de onde você veio e para onde quer ir. Mas minha mãe é mais velha do que eu, então ela tem muita vantagem, porque começou muito antes. Então eu não sei se um dia eu vou conseguir alcançá-la (risos).

Carreira no cinema e objetivos futuros

Apaixonada por desafios, Rousey teve a oportunidade de experimentar uma nova carreira em 2013. Convidada para integrar o elenco de “Os Mercenários 3” e “Velozes e Furiosos 7”, ela se dividiu entre as filmagens que ocorreram na Bulgária e em Atlanta, enquanto treinava e se preparava para o duelo deste sábado contra Miesha Tate, na sua segunda defesa do cinturão peso-galo feminino do UFC.

- Foi muito complicado fazer o camp de treinamento e filmar ao mesmo tempo, mas eu queria que essa luta fosse um desafio mais difícil do que a primeira, porque eu já venci a Miesha e já sou dona do cinturão do UFC. E foi justamente por isso que aceitei esse desafio, porque gosto quando as pessoas duvidam da minha capacidade de fazer as coisas, isso me motiva. Mas, falando das filmagens, posso dizer que, quando eu me aposentar, talvez eu possa seguir carreira nessa área de cinema e tudo vai parecer muito mais fácil se comparado a essa primeira experiência. É muito trabalho e muitas coisas que eu fiz ou tentei fazer foram completamente surreais. Eu nunca tinha feito cinema antes e foi fisicamente cansativo e desafiador. Não era apenas ficar ali em pé maquiada e arrumada decorando textos. Eu tive algumas cenas físicas e fiz coisas que pessoas que já tinham mais experiência do que eu disseram que eu era louca por me arriscar - conta, revelando que não teve medo de gravar as cenas de perseguições ou explosões.

- Eu mandei para o Dana White uma foto de quando estávamos filmando uma explosão na qual eu me machucava e voava pelo ar e ele ficou maluco, começou a me mandar mensagens do tipo: "O que é isso? O que você está fazendo? Enlouqueceu?”. E eu tive que acalmá-lo, dizendo para ele não se preocupar, porque não eram rochas de verdade, eram pedaços de isopor que pareciam muito, mas muito reais (risos). Ele me fez prometer não fazer nada muito perigoso, mas tinham algumas cenas nas quais eles tinham dublês, mas que eu queria fazer sem dublê, só que não podia fazer porque eu tinha essa luta. Em compensação, fiz todo mundo me prometer que vou poder fazer essas cenas no próximo filme sem dublê. Eu não tenho medo de cair, e as cenas pareciam tão divertidas!

Sobre os planos para o futuro, Ronda afirma que pretende continuar tocando as duas carreiras em paralelo - pelo menos por enquanto:

- Primeiro eu preciso vencer essa luta contra a Miesha, esse é o meu objetivo número um. O número dois é vencer a próxima luta. O terceiro é, provavelmente, fazer mais filmes  e o número quatro é vencer mais algumas lutas (risos).