A trilogia entre Junior Cigano e Cain Velásquez não foi como o brasileiro esperava. Assim como aconteceu no segundo duelo entre eles, o americano impôs o seu jogo de wrestling e clinch e assim dominou praticamente todos os cinco rounds, conquistando o nocaute técnico no último período. O dia 19 de outubro, em Las Vegas (EUA), para muitos significou o desfecho de uma história entre os lutadores que vêm dominando o peso-pesado do Ultimate desde outubro de 2010. Entretanto, para Cigano o UFC 166 não foi o capítulo final desta história.
Em entrevista ao Combate.com, o brasileiro contou sobre os dias que se
passaram depois do evento. Considerou positiva a reação do público desde
que chegou ao país e declarou que pretende seguir nos pesados para
disputar mais uma vez o cinturão. Mesmo se for Velásquez o dono do
título. Descer de categoria não está nos planos.
- Para mim, com certeza o Velásquez foi melhor em tudo, foi superior,
venceu a luta, está de parabéns, mas acredito que ele não colocou um
ponto final nessa história. Acho que ainda tenho muitas chances de tirar
esse cinturão dele - disse Cigano por telefone.
O ex-campeão dos pesados também deu o seu palpite sobre a próxima
disputa do cinturão da categoria, novamente com um brasileiro em ação.
Fabrício Werdum terá a chance de enfrentar Cain Velásquez, e Cigano
acredita que o compatriota tem boas chances. Confira a entrevista
completa:
COMBATE.COM: Cerca de um mês e meio depois do UFC 166, como está o seu dia a dia? Já voltou aos treinos?
Junior Cigano:
O dia a dia está bastante corrido, resolvendo alguns assuntos do dia a
dia. Não voltei a treinar de fato ainda, mas sempre que posso faço
alguma coisinha para suar, para não ficar completamente parado. Mas aos
treinos mesmo eu não voltei ainda, principalmente pelo médico ter pedido
isso. Pediu para ficar quietinho por um tempo, até para dar uma zerada.
Porque eu nunca fico parado, sempre volto a treinar dez ou 15 dias
depois da luta. Então ele pediu para dar essa zerada e poder voltar com
tudo.
E houve alguma lesão específica depois da luta ou esse tempo parado é mais precaução mesmo?
É mais precaução mesmo pelo fato de ter sido uma luta bem dura, pela
quantidade de socos que absorvi e coisas assim. E lá no fim também bati a
cabeça no chão na defesa que o Velásquez fez daquele triângulo de mão.
Bati a cabeça no chão e ficou uma dorzinha.
Você já conseguiu assistir à luta, mesmo tendo perdido?
Já assisti várias vezes (risos). E eu me irrito comigo mesmo porque... A
estratégia que o Velásquez trouxe para a luta foi bem inteligente, mas
acontece que foi uma estratégia que sabíamos que ele ia usar. E nós
acabamos cometendo os mesmos erros que cometemos na luta anterior, que
ele ganhou também. A minha estratégia era e sempre foi buscar o nocaute o
tempo todo, impor o meu jogo, que é a parte em pé, usar o meu boxe, mas
contra o Velásquez realmente ficou mais claro para mim que isso não é o
suficiente e nem o coloca em perigo nenhum. Ele aprendeu na primeira
luta, quando foi nocauteado, e não me deu mais chances. Foi uma
excelente estratégia. Acho que ele foi muito melhor, mas no todo o que
fez a diferença foi ele ter lutado com inteligência, com tudo que
precisava fazer na luta.
Você citou o triângulo de mão do quinto round, e o Josh Barnett
(lutador do UFC) fez uma análise sobre golpe dizendo que o Cain
Velásquez ficou sob risco com o estrangulamento. Você sentiu que dava
para vencer naquele momento?
Dava com certeza. É um golpe que eu faço muito bem, e do jeito que
encaixou foi perfeito. Do jeito que estava, com ele dominando a luta, e
de repente encaixo um golpe daquele, para mim foi uma luz no fim do
túnel. Mas o que surpreendeu muito foi a defesa do Velásquez, que foi
inesperada. Ele se jogou de costas no chão, o que fez eu bater a cabeça
direto no chão também e dei uma apagada ali. Aquela defesa, como é que
posso dizer... foi completamente estranha, eu nunca tinha visto. Ele
defendeu se jogando no chão, bati a cabeça e não consegui segurar a
posição. Sou muito bom naquela posição e... Ele estava com sorte. Era
para ser do Velásquez. Se fica mais um pouquinho ali ele batia.
E como foi o encontro com o público desde chegou ao Brasil?
Recebeu mais carinho desta vez do que na luta anterior, quando as
críticas foram pesadas?
Mesmo as críticas das pessoas que falam de mim, que falam para mim,
sempre são legais. Muitas vezes até escuto, tento entender o ponto de
vista do fã. É tudo muito positivo. O carinho que tenho dos fãs tem me
dado uma força muito grande e faz me deixar mais bem preparado e buscar
mais conhecimento dentro do mundo da luta para me tornar um profissional
mais completo.
Você e o Velásquez já se enfrentaram três vezes. Como fica o
seu futuro no UFC caso ele continue campeão por muito tempo? Acredita
que é possível um quarto duelo em dois anos, por exemplo?
Acredito sim. Meu objetivo sempre foi e vai continuar sendo ser o
número 1. Então eu vou continuar trabalhando para isso.
Independentemente do que o Velásquez faça, dos resultados dele, eu vou
trabalhar os meus resultados positivos e tenho certeza que em breve eu
vou ter essa oportunidade de novo de lutar pelo cinturão, seja ele o
campeão ou não. Este é o meu objetivo e é para isso que estou
trabalhando.
Se você emendar uma sequência de vitórias e não te derem uma
disputa de título, você pode descer de categoria? Já pensou nessa
possibilidade?
Não, porque para mim é impossível. Teria que tirar mais ou menos 17kg,
18kg. Não tenho tanto peso assim para tirar, sou um peso-pesado natural.
Para mim, com certeza o Velásquez foi melhor em tudo, foi superior,
venceu a luta, está de parabéns, mas acredito que ele não colocou um
ponto final nessa história. Acho que ainda tenho muitas chances de tirar
esse cinturão dele. Vamos ver. Conforme a categoria for andando, vou
deixar para pensar nisso no futuro.
Acha que seu adversário pode sair da luta entre Josh Barnett e
Travis Bowne (ambos se enfrentam no dia 28 de dezembro, no UFC 168)?
Acredito que pode ser sim. A categoria dos pesados está vivendo um
momento muito bom e tenho certeza que bons adversários vão aparecer,
como esses que você falou, e tem muitos outros também. E
independentemente de eu ter perdido a luta para o Velásquez, eu ainda
sou o número 1 do ranking nos pesos-pesados. Ou seja, quero continuar
lutando com os melhores, assim como foi com o Velásquez. Infelizmente,
acabei perdendo, mas quero continuar trabalhando para vencer na próxima.
O próximo desafiante é o Fabrício Werdum. Como você acha que a
luta contra o Cain Velásquez vai se desenrolar? Acha que o campeão vai
usar a mesma estratégia que usou contra você?
Acredito que sim, até porque o Werdum é muito bom de jiu-jítsu, e por
isso acho que o Velásquez não vai querer simplesmente derrubá-lo ali e
ficar no chão. Ele vai querer ficar naquela luta agarrada, batendo na
grade, usando a parte em pé dele, que está bastante completa também.
Sobre o Werdum, acho que tem grandes chances. Não só pelo jiu-jítsu que
ele tem. A dica que eu dou é que esteja preparado para lutar em todos os
lados, em qualquer área, tanto em pé quanto no chão. O Werdum tem que
priorizar o que a luta oferecer. Não pode só querer fazer o chão ou só
fazer a parte em pé. Tem que estar pronto para tudo o que aparecer, pois
o Velásquez é um cara versátil e tem que ser versátil também para poder
competir com ele.
A próxima edição do TUF Brasil poderá contar com a participação
de pesos-pesados. Você acredita que o Brasil tem bons lutadores na sua
categoria para chegar ao UFC e fazer frente aos principais nomes do
mundo?
Acho que sim, tem caras bons no Brasil. Com uma oportunidade dessas que
o TUF está oferecendo, esses caras vão ter espaço, vão aparecer. A vida
é feita de oportunidades, e o brasileiro é bom. Então eles têm que
agarrar essas oportunidades quando elas aparecem
Sem comentários:
Enviar um comentário