terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mãe invade octógono após fim de luta para ver se filho machucou: 'Sangrou?'

Manoel Castro, atleta de MMA (Foto: Josiel Martins )

Amor de mãe é imensurável, e responsável por quebrar alguns protocolos. O público que assistia à luta de Manoel Castro durante um evento de MMA no Piauí não só se convenceu disso, como também foi surpreendido pela atitude da pedagoga Maricilde Castro, mãe do atleta. Ao fim do combate e do anúncio do vencedor, Maricilde não pensou duas vezes: subiu no octógono, deu um chega para lá no árbitro e perguntou: ‘Filho, você está bem? Está sangrando’. O gesto positivo de Manoel tranquilizou Maricilde, que antes fez questão de ver se havia algum ferimento no rosto e pelo corpo do filho. A invasão ao octógono não terminou sem antes um abraço, e a mensagem de parabéns pela conquista.

No canto da arena montada em um clube na zona Norte de Teresina (PI), Maricilde viu os 15 minutos da luta do filho contra Marcony Pará. A cada golpe e queda de Manoel, aflição para o combate terminar logo. Durante o intervalo entre os três rounds, um alívio no peito da preocupação. De longe, Maricilde já tinha em mente o plano B: em caso de uma lesão grave, os documentos de Manoel estavam prontos para dar entrada no hospital. Ainda bem que não foi preciso.

- É desespero de mãe, sabe? Queria ver de perto e com as minhas mãos se ele não estava sangrando pelo nariz. Meu coração estava disparado, com medo. Na primeira luta que assisti, o Manoel nocauteou o adversário em um minuto. Contra o Marcony, era um rival mais experiente, foram 15 minutos de sofrimento. Parecia que não iria acabar. Já estava com a carteirinha do plano de saúde do meu filho pronta – relata a mãe.
Por trás da atitude audaciosa de Maricilde existe um gesto de companheirismo e orgulho do filho. Manoel tem 19 anos, é estudante universitário e fez sua segunda luta oficial no MMA. O atleta perdeu o pai durante um acidente de moto no ano de 2004, época Manoel tinha apenas 10 anos. Na escola, por ter estatura baixa (1,65m) e excesso de peso, sofreu bullying dos colegas.

A mãe gostaria que Manoel fosse advogado. Mas a paixão do filho pelo esporte falou mais alto. Há cinco anos ele começou no jiu-jitsu, nos últimos três encontrou o MMA e o muay thai. Sonhando junto com ele, Maricilde traça o futuro do lutador dentro do octógono: fazer carreira no UFC.

- Sinto muito orgulho dele, pois ele tem um objetivo. Para a pesagem, ele perdeu 9kg em 42 dias, isso mostra a determinação, um sentimento que me empolga e vou junto com ele sempre, seja no treino ou em competição. Ele quer ser o melhor, tem o sonho de disputar os grandes torneios de MMA. Se ele quer, eu também quero. Se for algo impossível, transformamos em possível – afirma Maricilde.

Manoel Castro se inspira em Vítor Belfort para vencer os combates. Foi assistindo uma das lutas do ídolo que o jovem de São Raimundo Nonato, cidade localizada a 517km de Teresina, resolveu iniciar no MMA. 
O apelido do lutador piauiense se deve à mãe. Durante um treino, quando Maricilde foi pegá-lo na academia, os companheiros de Manoel presenciaram o episódio e o título de “Bebezão” pegou rápido.

- Minha mãe é meu amuleto, faz tudo por mim. É meu pai, minha irmã, minha amiga... Ter ela na plateia é uma autoestima, energia a mais. Luto para ser o melhor, mas não sei por que ela assiste às lutas (risos), porque ela sempre vai sofrer – brinca Manoel.

Do lado do filho, vem o “puxão de orelha” da mãe...

- Espero que tenha muito juízo na cabeça.

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