quinta-feira, 24 de abril de 2014

Em nova versão, Anthony Johnson garante que voltou ao UFC para ficar

Anthony Johnson UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)

Dois anos de ausência do UFC parecem ter dado a Anthony Johnson a maturidade que ele precisava para retornar totalmente mudado. A imagem do lutador rebelde e indisciplinado, que constantemente excedia o limite de peso nas pesagens oficiais e desperdiçava chance atrás de chance parece ter ficado para trás. O novo Johnson, de fala pausada, sorriso permanente no rosto e atitude tranquila, garante que voltou ao UFC para ficar e, se possível, alçar voos mais altos entre sua nova categoria: os meio-pesados.

- Eu me sinto muito bem em voltar ao UFC. Me sinto abençoado, na verdade. Trabalhei muito para voltar, e foi uma estrada bem longa. Durante o tempo em que estive fora eu aprendi muito, amadureci, cresci e só me diverti desde então. Finalmente achei a categoria de peso que eu melhor me encaixo, que é a dos meio-pesados. Deveria ter estado nela há dois anos. Não estaríamos falando disso tudo aqui se eu tivesse ido para os meio-pesados mais cedo. Mas tudo acontece por uma razão, e Deus me fez estar aqui para que eu crescesse e me tornasse um homem. Antes eu não ligava para nada, e hoje eu recuperei meu amor pelo esporte. Antes não era um atleta, e lutava porque gostava. Não levava a sério. Agora sou um atleta que faz o que realmente ama. Estar entre os meio-pesados mudou minha vida totalmente.

Relembrando sua jornada desde que foi demitido por Dana White, Anthony Johnson falou sobre

- Na minha primeira luta fora do UFC eu não bati o peso novamente. Parecia que meu corpo havia crescido e eu havia atingido a puberdade depois de velho. Mesmo assim eu ganhei a luta contra Jake Rosholt nos meio-pesados, e foi muito bom. Depois assinei com o WSOF, fiz duas lutas como meio-pesado, e em seguida venci Andrei Arlovski, que é ex-campeão dos pesos-pesados do UFC. Me diverti novamente, e foi uma experiência que ninguém poderá tirar de mim. Venho de seis vitórias seguidas desde que saí do UFC, e garanto: vencer é importante. Muda tudo. As pessoas te tratam diferente, te respeitam mais e, quando fazem isso, você se respeita mais. Não sei como descrever as seis vitórias que tive, mas posso dizer que a cada vitória eu amadurecia mais e me conhecia mais um pouco, e sabia o que eu podia e o que eu não podia fazer.

Johnson reconhece que sua cabeça, quando era mais jovem, não estava preparada para o grau de exigência do UFC.

- Mentalmente, naquela época, eu era um nada. Jovem e idiota, e eu admito isso. Se você não admitir seus erros, não conseguirá corrigí-los e melhorar. O cara que eu sou hoje é dez vezes melhor do que o que eu era dois anos atrás, quando fui demitido do UFC. Hoje sou feliz, não faço cortes de peso malucos e tenho um sorriso no rosto. Antes, se você olhasse diferente para mim durante o corte de peso eu ficaria com raiva e ia querer te machucar. Hoje cortar peso é fácil.

Sua última luta antes de ser demitido foi no Rio de Janeiro, diante de Vitor Belfort, hoje seu companheiro de treinos na equipe Blackzilians. Johnson revela os bastidores do que aconteceu naquela noite, quando mais uma vez não bateu o peso, foi derrotado e, posteriormente, demitido.

- O que aconteceu no Brasil foi muito louco. Eu fiquei doente tentando bater o peso dos médios (84kg) e meu corpo literalmente desligou quando eu estava a menos de um quilo de conseguir. Tive que me reidratr para voltar à consciência. Mas isso não é uma desculpa. Eu deveria ter me preparado melhor, mas estou feliz que tudo isso tenha acontecido, para que eu pudesse acordar.

O lutador tambem falou de sua relação com Vitor Belfort, a quem considera um grande companheiro de treinos e um atleta admirável.

- Vitor é legal, e sempre que pode treina conosco. Mas ele é um pai de família e passa muito tempo com os filhos. Mas ele treina muito, principalmente boxe. O boxe dele é muito melhor que o do restante dos atleta da Blackzilians. Quando ele vem treinar conosco nos divertimos muito, conversamos e sentimos falta dele. Sempre recebi muito apoio dele, e não falamos da nossa luta. Ela ficou no passado, e nós dois hoje olhamos para frente. Cada um tem sua vida, e quando nos encontramos nao temos raiva um do outro. Esse é o nosso trabalho. ele me ensina coisas, e eu a ele. O jiu-jítsu dele é melhor que o meu, e o meu wrestling é melhor que o dele. Lidamos um com o outro como homens e atletas. Não somos animais que não conseguem lidar um com o outro. Nós conversamos e nos damos bem.

O que antes era uma pergunta delicada para fazer a Anthony Johnson, hoje é encarada com um sorriso.

- Quanto peso eu tenho que perder agora? Essa é a pergunta mágica do dia (risos). Tenho entre 3kg e 3,5kg para perder até a pesagem. Isso é muito melhor do que os 5,5kg a 6kg que eu tinha que perder antigamente a dois dias da pesagem. Estou muito feliz não só por voltar, mas também por ter que perder menos peso do que antes. É bom que as pessoas ainda acreditem em mim, e tenho orgulho de não ter desistido. Muita gente teria desistido no meu lugar, sem tentar atingir o máximo que poderiam alcançar na vida.

Falando sobre seu adversário, Johnson foi só elogios, mas deixou claro que Phil Davis precisará provar se realmente merece ser o número quatro do ranking dos meio-pesados do UFC.

- Phil Davis é um grande atleta, é o quarto do ranking mundial. Tenho muito respeito por ele, e veremos que luta será essa. Veremos se as seis lutas que fiz antes de enfrentá-lo foram um engano, ou se ele é mesmo o número quatro do mundo como dizem que ele é. Nós vamos nos testar um ao outro, e isso vai representar muito para mim. Sem o trabalho e dedicação da minha equipe, meus amigos e da minha família eu provavelmente não estaria aqui. Agradeço a todos e a Deus por ter uma nova chance na vida.

Perguntado sobre o que teria conversado com Dana White antes de seu retorno ao UFC, Anthony Johnson surpreendeu ao revelar que não fala com o presidente da empresa desde que foi demitido.

- Eu e Dana nunca conversamos desde que eu fui demitido. Meu empresário, Glen Robinson, cuida dessa parte para mim. Eu cheguei a falar com Joe Silva algumas vezes, e foi legal. Vi Dana também, e ele estava com um sorriso no rosto. Não sei até que ponto ele falou sério quando disse que era bom me ter de volta ao UFC (risos). Mas eu estou aqui, então deve ter sido sério.

Para Johnson, a luta principal do evento, entre Glover Teixeira e Jon Jones, tem um favorito.

- Jon Jones é o campeão e defendeu seu cinturão seis vezes até agora. Até hoje ele dominou todos seus adversários, exceto Alexander Gustafsson, que foi seu maior desafio na carreira. Glover tem muita força nas duas mãos e pode causar muitos estragos. É difícil dizer quem vai ganhar, mas eu não posso ir contra o campeão. Jon Jones é o campeão, e continuará sendo até que seja derrotado. Eu nunca iria contra um campeão. Mas não será uma surpresa se Glover vencer.

Sem comentários:

Enviar um comentário